As duas terras: uma “original” e outra “caótica”

Uma das maneiras de interpretar Gênesis 1.1-2 é apontando-o como uma explicação preliminar que apenas introduz a narrativa da criação. Dessa forma, o texto poderia ser parafraseado assim, como nos traz o Comentário São Jerônimo:

Quando Deus começou a criar o céu e a terra - a terra estando sem forma e vazia, trevas cobrindo o abismo, e um sopro de Deus agitando a superfície das águas - Deus disse: “Haja luz", e houve luz.

Mas nem todos os intérpretes aceitam isso. Preferem partir, então, para uma explicação mais “racional”: dizem eles que em Gêneses 1.1 temos a terra Original, a primeira criada por Deus. Já em Gêneses 1.2 temos a mesma terra, mas agora caótica, destruída. É esta terra que vai ser “reconstruída” ou “recriada” por Deus em seis dias, a partir do verso 3: “E disse Deus: Haja luz...”.

Uma obra muito famosa em língua portuguesa que fala sobre isso é o livro do teólogo pentecostal Lawrence Olson “O plano divino através dos séculos”. Ele afirma que a tal terra Original poderia ter sido aquele “Éden, jardim de Deus” p.36 — um tipo de “reino mineral todo glorioso”.

Já a terra caótica era sem luz alguma; não havia terra seca; mas existia alguma “semente no fundo do oceano”. Quando tempo a terra ficou caótica, Olson afirma não saber.

Mas, assim: se Deus criou uma terra perfeita que depois se tronou caótica, o que aconteceu? Qual foi a tragédia? Vejamos como essa “engenharia hermenêutica” buscou responder isso...

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